Amargurado - Carlos Cezar E Cristiano* - Expresso Boiadeiro (Vinyl, LP)

Marcadores: Bandas , Brilha Som. Banda Fritz 4 - Vol. Marcadores: Banda Fritz 4 , Bandas. Marcadores: Gauchescas , Mano Lima. Pisca Pisca. Lambendo Espoleta. Que Nadie Sepa Mi Sufrir. Papa Tudo. A Garagem. Quem Me Dera. Just simply add dl in front of mixcloud. Galopando Estrada a Fora Enjoy our site! New Releases.

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Las huestes de don Rodrigo desmayaban y huan cuando en la octava batalla sus enemigos vencan. Rodrigo deja sus tiendas y del real se sala; solo va el desventurado, que no lleva compaa. El caballo de cansado ya mudar no se poda, camina por donde quiere, que no le estorba la va. El rey va tan desmayado, que sentido no tena, iba tan tinto de sangre, que una brasa pareca. Incluem-se imitaes da Chanson de Roland conhecido desde antes do ano de 23 , em que o Imperador descobre, desolado, os cadveres de Roldo, Oliveiros e Turpim.

Incluem-se nessa classificao uma srie de romances que narram histrias de amores e de intrigas Bernal Francs, a Bela Malmaridada um dos enredos preferidos dos vihuelistas, juntamente com La Maana de San Joan , Branca-flor Os romances de enredos novelescos e lricos so, em geral, carregados de imagens de pondervel intensidade lrica, como a histria de Amads, o mais famoso caballero do sculo XVI, ou como o seguinte excerto, em que um navegante se v glorificado pela sua profisso no mar: Por Dios te ruego, marinero dgasme ora ese cantar.

Respondile el marinero, tal respuesta le fue a dar: Yo no digo esa cancin sino a quien conmigo va. Ou aquele, repleto de subentendidos e certa malcia, em que uma missa interrompida pela entrada de uma bela mulher. Um jogo fonossemntico se instaura: El abad que dice la misa, no la puede decir, non; Monacillos que le ayudan, no aciertan responder, non: Por decir Amn, amn, decan Amor, amor.

No gostaria de deixar de citar os dsticos octosslabos de Con Pavor Record el Moro, pela intensidade emotiva e artificiosidade paralelstica, assim como por sua construo base de imagens irnicas que se fizeram to comuns no romantismo: Con pavor record el moro y empe de gritos dar: Mis arreos son las armas, mi descanso es pelear, Mi cama las dura peas, mi dormir siempre es velar Mis vestidos son pesares que no se pueden rasgar.

Suba, suba, caballero, Dormir una noche o dos, Que mi marido fu a caza A los montes de Len, Y para que ac no vuelva Le echaremos maldicin: Cuervos le saquen los ojos, guilas el corazn, Se caiga de un risco abajo Y muera sin confesin.

Variantes do Romanceiro tradicional se alastram por toda a Europa e Amrica hispnica. A ttulo de ilustrao, convido o interlocutor para comparao de um romance antigo peninsular e sua variante ocorrente no Chile. Mira qu trenza de pelo qu delgada de cintura. Si te casaras conmigo gozaras de mi hermosura. Respondi el bien del pastor: -Tu hermosura no la quiero, Tendo el ganado en la sierra y quiero dirme con ello.

Pastor, que ests enseado a dormir en las cabaas, Si te casaras conmigo durmieras en buena cama. Pastor, que ests enseado a comer pan de centeno, Si te casaras conmigo comieras de pan y bueno. Pastor que andas por la sierra pastoriando tu ganado, Si te casaras conmigo salieras de esos cuidados.

Yo no me caso contigo, responde el villano vil, El ganado est en la sierra, adis, que me quiero ir. Como ests acostumbrado a andar con esas ojotas, Si te casaras conmigo, te pusieras buenas botas. Yo no me caso contigo responde el villano vil, El ganado est en la sierra, adis, que me quiero ir. Como ests acostumbrado a comer galletas gruesas, Si te casas conmigo comieras pan de cerveza. Aps certo arrefecimento, no perodo neoclssico, no romantismo que se reabilita definitivamente o Romanceiro tradicional, projetando-o em direo ao sculo XX, ainda que em sua condio puramente escrita os estudos sobre a relao palavra-msica ainda esto por fazer.

Garrett, no prefcio de Adozinda , escreve que de pequeno me lembra que tinha um prazer extremo de ouvir uma criada nossa em torno da qual nos reunamos Apud.

Idem, p. Los Romances de Amrica y Otros Estudios, p. A monotonia do canto, a singeleza da frase, um no sei qu de sentimental e terno e mavioso, tudo me fazia to profunda impresso e me enlevava os sentidos em tal estado de suavidade melanclica, que ainda hoje me lembram como presentes aquelas horas de gozo inocente, com uma saudade que me d pena e prazer ao mesmo tempo. Bettencourt da Cmara que o veculo da difuso do Romance tradicional at paragens longnquas , evidentemente, o formidvel movimento de expanso martima que, a partir de fins do sculo XIV, empreendido pelas duas naes peninsulares.

Com os portugueses e espanhis, impelidos pela circunstncia poltico-social dos dois pases para a aventura do mar que a lenda medieval povoava de monstros, chegaram s terras descobertas simultaneamente o desejo dos valores materiais que se esperava retirar delas e as formas culturais trazidas da terra de origem, incluindo formas potico-musicais populares ou popularizadas, como o romance.

A poca dos descobrimentos foi o esplendor da viola em Portugal. Bettencourt da. Msica Tradicional Aoriana, p. Ibidem, p. No tinham mais que comer, Nem tampouco que manjar; Botaram solas de molho, Pra no domingo jantar; A sola era to dura Que no podiam tragar. As faanhas do heri negro ou do heri indgena, por exemplo, associadas ao padecimento do ndio nacional, so registradas em significativa antologia de poemas, a maior parte exaltada pela mundividncia romntica do bom selvagem.

Tratamento anlogo dado ao preto. Simes Lopes Neto em , e citado por Pedro Calmon. Vale a pena admirarmos um certo sabor de arcasmo prprio do romance e a singela maestria dos seguintes sextetos ou versos-e-meio, no regionalismo caipira : Eram armas de Castela Que vinham do mar de alm; De Portugal tambm vinham, Dizendo, por nosso bem: Mas quem faz gemer a terra Em nome da paz no vem!

Do sangue dum gro-cacique Nasceu um dia um menino, Trazendo um lunar na testa, Que era bem pequenino: Mas era um cruzeiro feito Como um emblema divino! Nau Catarineta. In: Histria do Brasil na Poesia do Povo, p. Diferente em noite escura, Pelo lunar do seu rosto, Que se tornava visvel Apenas era o sol posto; Assim era Tiarai , Chamado Sep, por gosto.

Das brutas escaramuas As artes e artimanhas Foi o grande Languiru Que lhensinou; e as faanhas De enredar o inimigo Com o saber das aranhas Cmara Cascudo cita os muitos registros feitos pelo Almirante Lucas A. Determinados temas podem ou no se fixar ou ser incorporados a um lugar, ou determinar variantes adaptadas ao contexto histrico-geogrfico da regio, ou simplesmente serem suprimidos do processo espontneo da transmisso oral.

Isto depende do impacto que o tema e a prpria natureza fsica do poema exercem sobre fatores concretos e legitimados socialmente em cada regio. O Bom ndio. In: Histria do Brasil na Poesia do Povo, de p. Dicionrio do Folclore Brasileiro, de p.

Na perspectiva de sua ressonncia pela identificao com certas modulaes temticas do Romanceiro tradicional, o Nordeste brasileiro mais permevel ou aberto como disponibilidade de aceitao, em vista do mantenimento de certas condies histricas e polticas arcaicas a repercutir nos padres dominantes da cultura. Cada um h de ter uma literatura sua, porque o gnio de um no se confunde com o do outro.

Cada um tem as suas aspiraes, seus interesses e h de ter, se j no tem, sua poltica.. A dominao alimentada pelo mando do coronel sobre os eleitores matutos registrada pelo jurista Vctor Nunes Leal, no livro clssico Coronelismo, Enxada e Voto Romancero de la Tradicin Moderna, p.

O Regionalismo na Fico. In: A Literatura no Brasil, p. Arte, Folclore e Subdesenvolvimento, p. O coronel seria drago da maldade, na alegoria cinematogrfica de Glauber Rocha. Repetindo formas embrionrias senhoriais do feudalismo, o interesse privado da Casa Grande se sobrepe ao desenvolvimento dos interesses pblicos, gerando formas localizadas de despotismo.

Ainda que, com a Revoluo de , a fora opressiva do poder de polcia tenha diminudo em ostentao, esse domnio poltico persiste at o ocaso do sculo XX, momento em que me ponho a redigir este Ensaio. Os coronis caipiras, entretanto, agem sob outras frmulas.

Decorre desta dinmica o fato de que certos enredos do Romanceiro calcados na mitologia do cristianismo medieval logo se dissiparam, tiveram pouca ressonncia ou rapidamente se transformaram na Moda Caipira, a ponto de dificilmente serem reconhecveis em suas motivaes temticas de origem. Mas h uma diferena essencial que repercute na menor incidncia do Romanceiro, e essa diferena sobrevm do conceito de quem veio a ser o caipira.

O habitante rstico gerado no planalto de Piratininga, com sua agricultura itinerante, sempre empurrado para o fundo do serto, devido violncia da expropriao da terra. Situa-se comumente na rebarba da cultura dominante. Porm, talvez por herana ancestral indgena, enfrenta o desconhecido, e avana em busca de novas terras, em princpio s margens do Rio Tiet.

O caipira enxerto do habitante nativo ndios principalmente de tribos Xavantes, Guaranis e Caigangues ou Coroados, quase dizimadas pelos bugreiros, nas marchas colonizatrias, entre e , brancos ibricos, quase-brancos, pardos, mulatos e negros , mais o migrante das mesmas cores, vindo das Minas Gerais, empurrado para o interior de So Paulo pelo escassamento do ouro e, a partir O Jri, de Pomplio Diniz. In: Man Gonalo: Poesias. Belo Horizonte: Itatiaia, , p.

Fixando-se na base nativa, aps sublinhar que na verdade, o caipira de origem paulista; produto da transformao do aventureiro seminmade em agricultor precrio, na onda dos movimentos de penetrao bandeirante que acabaram no sculo XVIII, Antonio Candido ressalta que a cultura do caipira no nem nunca foi um reino separado, uma espcie de cultura primitiva independente, como a dos ndios. Ela representa a adaptao do colonizador ao Brasil e portanto veio na maior parte de fora, sendo sob diversos aspectos sobrevivncia do modo de ser, pensar e agir do portugus antigo.

Reconhecendo a peculiaridade de ser do brasileiro em suas regies e, portanto, com as suas caractersticas adaptativas, sublinha o professor Candido: preciso pensar no caipira como um homem que manteve a herana portuguesa nas suas formas antigas.

Mas preciso tambm pensar na transformao que ela sofreu aqui, fazendo do velho homem rural brasileiro o que ele , e no um portugus na Amrica. Isto determinou o marco divisrio entre a tradio atrasada da cultura caipira, identificada com o interior do Estado, e a cultura adiantada da capital, ligada ao progresso, comrcio, indstria e modernidade. Raymond Williams escreveu que o campo passou a ser associado a uma forma natural de vida de saber, comunicaes, luz Houve uma evoluo semelhante que explica o porqu da evoluo da rima assonante ou parcial em rimas totais, nos romances modernos e, como veremos, nas formas popu37 Recortes, p.

O Campo e a Cidade: na Histria e na Literatura, p. Rosinha, famlia rica, Catimbau era um coitado, Capataiz de uma fazenda, Mas trabaiador honrado Adomava burro brabo, No lao era respeitado Um caboclo destemido Ai, por tudo era admirado, ai! H ocorrncias bem marcantes de antigas motivaes temticas na Moda Caipira. Um peo roncando as vantagens de suas vitrias em rodeios diz que j montei at no co! Exemplo notvel, embora raro, da permanncia de enredos literrios do Constituda base de estrofes de verso dobrado39 isomtrico e de a isorritmia das clulas ternrias de arte maior decasslabos com acentos na 3, 6 e 9 slabas, to comum no martelo agalopado nordestino , anapstica estilo ligeiro e fluente de seqncias de duas slabas breves e uma longa t-t-tt-t-tt-tt V cort trinta lgua de mata No dobrar daquelas colina Quatro ferradura de prata E uma fita amarrado na crina.

Vieira e Vieirinha, Gara Branca, Neste sentido, verso dobrado significa duas quadras e verso e meio, um sexteto. Procura-se com isto manter o metro, o ritmo e o encarrilhamento original das rimas. O leitor vai notar uma diferena s vezes grande de registro lingstico entre os vrios locutores. Existem nas cantorias e tertlias a fala de si mesmo em seus vrios matizes, e a fala do outro em sua prpria fala.

Na cronologia desta ltima dupla vamos sentir uma paulatina assimilao do falar correto do outro em sua fala, medida em que os artistas interagem nos vrios lugares, dos cafunds rsticos do campo aos ambientes mais refinados das cidades. H, por assim dizer, a projeo mediadora do discurso letrado em ltima anlise escrito sobre a natural oralidade corrente no bairro rural.

A fim de demarcar os vrios registros, os testemunhos e relatos de experincias de artistas caipiras, no decorrer deste Ensaio, sero transcritos, ipsis verbis, do gravador. Enfatizo que contra a transcrio desse processo dialetal caipira j houve alguma manifestao em contrrio e, observadas as diferenas regionais pelo interior de So Paulo, Sul de Minas Gerais e Mato Grosso, parte de Gois, Norte do Paran, alm de algumas reas rurais dos Estados do Rio de Janeiro e Esprito Santo a zona caipira uma espcie de expanso da antiga Capitania de So Vicente , este um dos pontos marcantes de especificidade e conseqente preconceito contra os habitantes das zonas rurais das citadas regies.

Perceptvel e estigmatizada como errada, a fala caipira pouca importncia dedica s regras sintticas de concordncia, talvez pela percepo da redundncia da regra normativa e, em muitos casos, pela pouca diferena fontica entre singular e plural, sem nenhuma implicao que turve o sentido lgico e potico do vernculo. A correo, ademais, soa como enunciado pedante, afetado, divorciado de seu contexto geopoltico. Amadeu Amaral comenta que foi o que criou aos paulistas, h j bastante tempo, a fama de corromperem o vernculo com muitos e feios vcios de linguagem.

Relata esse estudioso do caipirismo que quando se tratou, no Senado do Imprio, de criar os cursos jurdicos no Brasil, tendo-se proposto So Paulo para sede de um deles, houve quem alegasse Os nmeros se perderam porque no foram registrados em livros; encontram-se pulverizados em informaes e circunstncias difusas na memria popular. No caso em tela, portanto, o episdio do imaginrio carolngio passou a ser objeto adquirido da literatura e, deste modo, vivo e histrico.

Porm, como comum, a memria coletiva, a improvisao popular na corrente da oralidade, tende a remoar os acontecimentos reais ou imaginrios, transformando-os de verdicos histricos em verdicos artsticos. Esclarece Arnold Hauser, abordando o mesmo assunto sob a ptica sincrnica da pica medieval, que a ltima interpretao no , necessariamente, a mais arguta; mas toda a tentativa sria para interpretar um trabalho sob o ponto de vista de um presente vivo aprofunda e alarga o seu significado.

Todas as teorias que nos mostram a poesia pica de um ponto de vista novo e historicamente vlido so teis, porque nos interessa, mais do que a verdade histrica com o que realmente aconteceu, conseguir uma aproximao direta e nova do assunto. Moda-de-viola ansim: tem muito de verdade e tem muito de mentira. Tem gente muito antiga que ouviu fal e at conheceu os tris par de Frana, que era um bando perseguido pela capitura e que vivia na regio de Maring que nem enxistia naquela poca.

O Rordo era um caboclo muito. Dialeto Caipira, p. Histria Social da Literatura e da Arte - I, de p. Diz que ele nunca cheg a s preso, porque era protegido pelo prprio delegado da capitura. Cantava ela muito comprida, tinha muitos verso [estrofes]. Ento o Serrinha e o Teddy Vieira peg a letra, que achava muito bonita, e reduziu ela pa que cabesse dentro do disco. Ento fic aqueles verso que c conhece. O que eu vejo fal do Rordo, no Paran, que foi um home bo, por um lado, mas perigoso, muito matad e muito brabo.

Os tris par de Frana era tambm muito brabo. Rordo, eu num sei de que idade ele , mas deve s muito vio, n? S os antigo conheceu ele. E enxistiu, sim senhor. Enxistiu o Rordo e os par de Frana tambm, l no Norte do Paran. O Rordo e os par de Frana que nem o Lampio e os cangacero Em Nova Londrina enxistia muito grilo de terra, grilage da terra que era muito boa, terra roxa Ento o personage da moda abanc o Rordo, pra acab com a grilage de terra, e proteg coitadinho que j vivia na terra perseguido pelos jaguno dos fazendero.

O Rordo era do lado bo, como eu falei. O Teddy era tenente do Exrcito, e conhecia essas histria em livro. Decerto enxistia essas histria arquivada l no Exrcito. Ento porque era verdade no Paran e porque era verdade nos livro, da nasceu a moda Nova Londrina, que nis gravemo e foi sucesso. So palavras verdadeiras? Respondo que sim, num dos sentidos difusos e plausveis de verdade, relativizados pelo tempo, como fortuna admitida pelo imaginrio e consenso coletivo.

Verdade jurada, pois a verso torna-se acontecimento, valendo mesmo mais que este. Extingue-se, por assim dizer, a verdade pontual relatada por um indivduo, ao enlear-se e energizar-se de sentidos, na imaginao criativa comunal, sempre posseira de um contexto histrico vivo.

De qualquer modo, havendo como no h dvida de que haja, um mecanis42 Coletei seis horas de gravaes com Vieira, entre os anos de e Esse artista, de vasto preparo e com uma carreira de mais de 50 anos, configura-se como nosso principal informante de situaes reais e imaginrias do mundo caipira.

Mais ou menos nessa linha, Northrop Frye lana mo da noo de mundo hipottico. No correr desse pensamento, Paul Ricoer escreve que a hiptese potica a proposio de um mundo sob o modo imaginativo, fictcio. Assim, a suspenso da referncia real a condio de acesso referncia sobre o modo virtual. Mas o que a vida virtual?

Poder existir uma vida virtual sem um mundo virtual no qual seria possvel habitar? No ser funo da poesia suscitar um outro mundo um outro que corresponde a possibilidades outras de existir, a possibilidades que sejam os nossos mais prprios possveis?

O mundo de palavras existe para significar. E significa, se for realmente um mundo, ou seja, a poesia. A proposio dos autores Teddy Vieira e Serrinha tem muito mais de afetivamente evocativo que de referencial e suscita a especulao e divagao sonhadora.

Realiza-se uma definio aceita, mas conceitualmente indefinida, um jogo no qual concorrem muito mais as matrias significantes dos signos, deixando aos receptores uma brecha para o vo imaginativo to caracterstico da obra aberta de que trata Umberto Eco. No primitivismo da Moda Caipira h uma polivalncia funcional que, ao mesmo tempo, se aproxima do designatum a coisa ou situao referidas , d-lhes uma amplitude de sentidos, uma transcendncia que ultrapassa a realidade tangvel, situada e datada.

Os horizontes de sentido da obra, embora correlatos, nunca so idnticos realidade bruta. H um deslocamento do prosaico para o potico; passa-se do denotativo para co-notativo.

Deste modo, trata-se de uma poesia duplamente positiva j que, sem infringir o cdigo corrente, ela o repe numa dimenso superior. Esclarece o erudito italiano que quem comunicar conforme tal inteno sabe tambm que o halo conotativo de um ouvinte no ser igual ao de outros eventualmente presentes; mas, tendo-os escolhido em idnticas condies psicolgicas e culturais, pretende justamente organizar uma comunicao de efeito indefinido delimitado porm por aquilo que Este abstrato porque se realiza no horizonte da cultura.

Possui um nvel de significao que est para alm da superfcie aparente dos significados. Essa proposta com funo sugestiva abre campo, por assim dizer, ao fator significante da poesia, carreando ingredientes de transio da unicidade referencial para a poeticidade da mensagem.

Trata-se de um procedimento muito sutil e ilustrativo de como funciona o modo conotativo no linguajar da Moda Caipira de razes, modo esse que nunca dispensa, a partir do princpio literarizante do texto, a participao co-produtiva desse ouvinte abstrato. Isto se d pela passagem do unvoco para o plural, do individual para o plenrio, do datado e circunstancial para o potico. A respeito de ocorrncia anloga, ensina Menndez Pidal: a poetizao individual, sempre agitada, sempre revolta entre a multiplicidade de acidentes particulares e efmeros prprios do momento atual, se decanta lmpida e pura sob a ao sedimentadora da tradio.

Qualquer desejo de novidade se extingue. O poeta inicial e os refundidores sucessivos se desvanecem; todo personalismo autoral desaparece submerso na coletividade. Esse, como se pode constatar, um dos pontos essenciais do rito de transio da realidade histrica, quer dizer, daquilo que assim mesmo, em realidade artstica. A imaginao interpola-se realidade.

Jerusa Pires Ferreira, ao enfocar esses lapsos referencializantes, como os que ocorrem em Nova Londrina, to naturais e freqentes, e que deslizam para o mundo literrio das palavras, escreve que se a poesia popular memria e recriao, lembrana intensa e permanente de matrizes arcaicas que se rearranjam, agrupam e recriam em processos contnuos, cresce de importncia a avaliao do fenmeno: a falha de memria.

Obra Aberta, p. Armadilhas da Memria Conto e Poesia Popular , p. Em pginas precedentes deixei consignada indagao sobre como obras literrias famosas, por terem cado no gosto popular, se transformaram em fontes temticas da Literatura Popular.

Tais narrativas, lidas geralmente em voz alta, convertem-se em fbulas a serem contadas oralmente, como se fossem causos vvidos ou provindos de motivaes acontecidas. Ancoram-se em fatos e situaes acontecidos ou se referem a lugares existentes para proporcionar efeitos de realidade.

Por isto, adaptam-se ou se ajuntam aos contedos imaginrios e tangveis, e se sedimentam no verdico. Realizam o percurso de passagem do signo escrito em signo de dico oral, muito freqente, e que se equaciona em mximas do tipo conta-me um conto.

De fato, at pelas condies de dificuldades de acesso ao livro, pela pouca familiaridade com as letras, o prazer do texto tipografado reivindica a volta ao estgio de oralidade, interpondo entre o signo escrito e o auditrio a decisiva participao recreativa e re-criativa do intrprete, considerado num primeiro estgio o escritor de modas no pertencimento caipira, a grande maioria das modas vem assinada por uma dupla de autores ; num segundo, o porta-voz do poeta popular, que canta viva voz, com suas teatralizaes de miragens, relaes interativas e co-produtivas com a assistncia.

Esse emissor de mensagens ser comumente referido por o violeiro-cantador, o modista ou o cantador: aquele que anda com inteno sonhosa na cabea. Os jesutas tinham plena conscincia desse fato, ao se relacionar com populaes iletradas.

Trata-se de experincia adquirida que remonta h sculos: os afrescos das igrejas medievais, as ilustraes dentro dos textos, a oralidade dos sermes eram agentes de transmisso entre a igreja e seus fiis. Alm dos aspectos ldicos e artsticos dos atos de recitar e cantar, no difcil entender por que os jesutas usaram as formas do Romanceiro tradicional como estratgia de evangelizao.

Difundido no devocionrio dos jesutas que chegaram ao Brasil em , o Romanceiro tradicional est na origem dos principais afluentes de modas caipiras. A Moda-de-viola que, por sua fabulao novelesca e legendria, autnticas xcaras, mais homologia apresenta com o Romanceiro.

Durante as estrofes, e marcando o ritmo, a melodia perseguida pela ornamentao ponteada das cordas mais finas e agudas, dificilmente audveis nas gravaes antigas. O acompanhamento instrumental se evidencia no intervalo entre as estrofes, funcionando como elemento de suspense e anti-clmax, despertando o interessa pelo porvir lrico-narrativo da estrofe seguinte. O cururu e o cateret os mais primitivos dos sons caipiras so amlgamas, mediaes e adaptaes de danas e cantares amerndios.

Embora os europeus pensassem que europeizavam os indgenas e africanos de pele negra, aqueles que se aindiavam, se africanizavam Nesse sentido, o cururu e o cateret tomaram a feio dos solenes autos religiosos e rituais de f europeus, com acompanhamentos da viola, cantos e danas autctones e primitivistas. Couto de Magalhes, em , registra que o paulista, o mineiro, o rio-grandense de hoje cantam nas toadas em que cantavam os selvagens de h quinhentos anos e em que ainda hoje cantam os que vagam pelas campinas do interior.

Nas zonas rurais, como as da regio piracicabana e do pantanal matogrossense, o Cururu cantado em carreira, ou seja, com apenas uma rima, puxada por um cururueiro ou cantorio repentista, que enxerga e interage com o tocador de viola. Nh Serra e Zico Moreira, de Piracicaba, so exemplos desses cururueiros persistentes.

Alm dos tradicionais temas religiosos, h os urbanos e os circunstanciais ou encontrados, abstrados na correlao momentnea e interativa da cantoria. A platia aplaude a cada estrofe reconhecendo-se refletida nas estrofes. Taylor , A. Schlesinger Jr.

Douglas Dillon , C. Douglass Buck , C. Ramone , C. Boxer , C. Terry, Jr. Wilkes Jr. Dre , Dr. Kildare , Dr. Smith , E. Byrd, Jr. Danquah-Adu , J. Salinger , J. Rowling , J. Paul Boehmer , J. Jones , K. Irrelevant , Mr.

Ouça músicas de Carlos Cezar e Cristiano como 'Pedra 90', 'O Filho Do Caminhoneiro', 'Pro Que Der e Vier', 'O Vai e vem do Carreiro', 'Mercedita', 'O Menino Da Gaita' e todas as outras músicas.

9 thoughts on “Amargurado - Carlos Cezar E Cristiano* - Expresso Boiadeiro (Vinyl, LP)”

  1. Carlos Cezar e Cristiano - Expresso Boiadeiro (Letra e música para ouvir) - Soltem no pasto meu cavalo Ventania / Que atrás do gado me levou sertão a fora / E adquiri um caminhão de cem cavalos / Do que já fui, bem mais feliz eu.
  2. Discografia Carlos Cezar e Cristiano: expresso-boiadeiro - Expresso Boiadeiro, Ex-amante, Carreteiro da Saudade, amargurado, Felicidade, Viola Sentida, Os Três Boiadeiros, Estrada de Chão, Doces Memórias, Maldita Música, Tia Tonha, Disparada.
  3. Carlos Cezar e Cristiano. Carlos Cezar e Cristiano. Ouvir Aleatório. Adicionar aos favoritos. Boiadeiro Mentiroso (part. Liu e Léu) Cavaleiros do Céu. Cavalinho de Pau. Chalé de Madeira. Expresso Boiadeiro. F. Felicidade. G. Grito Aberto. L. Lembrança. Lua e Flor. Luzes e Espelhos. M.
  4. Quero também destacar o CD "Carlos Cezar e Cristiano - Vai e Vem do Carreiro" (Warner Music), que é uma coletânea de 14 músicas de LP's gravados pela dupla na Chantecler em , , e , com destaque para "Moça Caminhoneira" (Carlos Cezar - José Fortuna), "Os Três Boiadeiros" (Anacleto Rosas Jr.), "Amargurado" (Tião Carreiro.
  5. Jul 28,  · Carlos Cézar e Cristiano no programa do Bolinha. This feature is not available right now. Please try again later.
  6. 01) Expresso Boiadeiro - Carlos Cézar e José Fortuna 02) Ex-Amante - Cristiano 03) Carreteiro da Saudade - Carlos Cézar e Chrisóstomo 04) Amargurado - Tião Carreiro e Dino Franco 05) Felicidade - Carlos Cézar 06) Viola Sentida - Carlos Cézar 07) Os Três Boiadeiros - Anacleto Rosa Júnior 08) Estrada de Chão - Aurélio Miranda “Cruzeiro” 09) Doces Memórias - Mickey Newbury e José.
  7. 09) Sapo Cancioneiro - Carlos Cezar/Hugo Jorge Chacra/Nicolas Toledo 10) Eu e o rio: (Bridge Over Troubled Water) - P. Simon/Wally 11) Tip Tip Tim - Carlos Cezar/Maria Grever/Eveen/Zancopé Simões 12) Velha canoa - Crisóstomo/Belmonte Download Expresso Boiadeiro () 01) Expresso boiadeiro - Carlos Cezar/José Fortuna 02) Ex-amante - Cristiano.
  8. EXPRESSO BOIADEIRO - 01) Expresso Boiadeiro - Carlos Cézar e José Fortuna 02) Ex-Amante - Cristiano 03) Carreteiro da Saudade - Carlos Cézar e Chrisóstomo 04) Amargurado - Tião Carreiro e Dino Franco 05) Felicidade - Carlos Cézar 06) Viola Sentida - Carlos Cézar 07) Os Três Boiadeiros - Anacleto Rosa Júnior 08) Estrada de Chão - Aurélio Miranda “Cruzeiro”.
  9. CARLOS CÉZAR E CRISTIANO. João Dorácio (Carlos Cézar), nasceu na beira do Rio Araguaia no dia 02 de junho de e o parto foi feito pelo seu próprio pai, o Sr. Avelino. O registro foi feito no dia 08 de agosto de em Pradópolis-SP. Faleceu em Mogi Guaçu-SP no dia 06 de maio de , vítima de insuficiência renal.

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